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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

a pegadinha do "seu" maia


lá estava o ano-novo amuadinho, num canto, quase chorando.
–  o que foi meu filho? perguntou a mãe de 2013.
–  tô triste mamãe, resmungou o pequeno. porque eu não posso já ir e ser logo um 2013 grandão, forte? porque tenho que ficar esperando atéééé 2012 se cansar?
– meu filho, tenha paciência. 2012 está acabando. sua hora vai chegar. calma. agora vai brincar, aproveite seus últimos momentos antes de ir embora, mandou carinhosamente a mãe do ano-novo.
e 2013 foi procurar os amiguinhos. na ala dos anos-vindouros, ele seria o próximo a nascer. estava de saco cheio de tanta espera. era celebrado pelos amiguinhos, estavam todos meio com inveja, e ele não conseguia mais se segurar nas calças.
na ala onde ficavam os anos-inesquecíveis deu um alô para 2011. os anos 2000 e o 2001 também estavam por lá discutindo mais uma vez qual século era de quem.
–  2000, você é do século passado meu irmão. eu sou do século novo, desdenhava um 2001 sofrido.
2013 passou rápido por eles. não gostava de briga. seguiu em direção a brinquedolândia e  passou pelo corredor dos anos-passados.
“como tem velho aqui! eu que não quero vir pra cá nunca”, pensou, sem saber que seu destino já estava traçado. lá, entre tantos anos de outrora, os anos-dourados mal se aguentavam nas pernas. os anos-80 ainda dançavam, haviam tomado fôlego há pouco tempo e estavam na onda de um tal de “revival”. coisa de gente chique.
o ano-novo passou com medo em frente à porta dos anos-de-guerra e finalmente chegou à brinquedolândia. próximo dali 2014 e 2015 já recebiam as primeiras instruções da professora: meninos, sejam alegres e prósperos, dizia ela.
–  e ai 2013? tudo certinho, meu? perguntava o dia 21 de dezembro.  
–  tudo. se você não atrapalhar meus planos, respondeu um 2013 já meio bravo.
–  qualé ano-novo, dia 22 de dezembro é meu irmão, se eu aprontar pra você, apronto pra ele também.
nisso chegam os dias 24 e 25 de dezembro putos da cara com o dia 21.
–  vem cá ô malandragem, que negócio é esse de você querer atrapalhar nossa vida? caramba, todo ano a gente vai lá, é recebido em festa, comemoram nossa existência e ai justo agora você resolve que é mais importante, que vai acabar com o 2012, com o mundo, blá blá blá. qual que é a tua? perguntaram furiosos os irmãos.
–  já não basta o 12 de dezembro querer dar uma de engraçadinho, agora vem você? perguntou o 11 de novembro que passava por ali.
–  galera, não é nada disso, tentava se defender o 21 de dezembro.  
–  ah não?
–  não.
2013 já se encolhia num canto apavorado. a discussão estava acalorada. os anos-vindouros se juntavam pra ver a briga.
dia 31 de dezembro e 01 de janeiro chegaram esbaforidos para ver o que estava acontecendo. ao verem o dia 21 ali parado partiram pra cima dele.
–  calma gente. eu não vou fazer nada disso, garantiu o dia 21. eu juro. isso tudo é uma pegadinha do departamento de administração. parece que o pessoal do marketing gostou e decidiram  não desmentir a brincadeira.
–  jura? perguntaram os dias quase que em coro.
– juro. é que o seu maia, o chefão lá dos calendários ficou sem tinta, ninguém repôs, ele achou engraçado dar esse sustão e ai sobrou pra mim, reclamou um 21 de dezembro bem incomodado.
e assim, acalmaram-se os nervos, uns desconfiados, outros nem tanto. mas tudo voltou ao normal. 2013 foi brincar com os amiguinhos, já mais feliz, mas ainda ansioso. perto dali, um ano-inesquecível entrava no corredor. “ah, essa juventude”, suspirou 1939 indo em direção ao departamento de história prestar contas. quase tropeçou nas próprias pernas.


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