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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A caixinha da menina punk

ESTE TEXTO FICOU EM SÉTIMO LUGAR ANO PASSADO NO CONCURSO LITERÁRIO BRASÍLIA É UMA FESTA. TOMARA QUE GOSTEM:



Toda vez que passava em frente à porta do apartamento dele as luzes acendiam. Era hora marcada. A menina tímida, de saia azul e gravatinha com brasão denunciando onde estudava, passava apressada. O corredor era daqueles longos.
Em frente ao elevador, que naquele tempo era novinho em folha e só estalava porque as engrenagens não estavam bem lubrificadas, ela logo ficava impaciente esperando a sua vez de entrar. Adorava brincar com as amigas lá dentro. As brincadeiras incluíam apertar o botão da emergência e sair correndo antes que o porteiro chegasse.
Entre as meninas era assim, meio sapeca; sozinha, moça comportada. Cabelo sempre alinhadinho, não acreditava em espelhos e jurava que era meio gordinha. Era crescida pra idade, usava sutiã numa fase em que as coleguinhas nem sonhavam com isso.
E lá ia ela todos os dias para a escola carregando uma mochila pesada e passando apressada pelo corredor. Tinha orgulho dos livros. Sonhava em estudar na UnB. Pra atravessar o pilotis do prédio segurava a saia da escola que insistia em voar. O prédio era bem arejado, as pilastras grandes. Os azulejos Athos Bulcão davam um colorido à parte. Superquadra Sul. Superbacana, no pensamento dela.
E ela, aluna aplicada, saia cedo pra escola. No começo do ano ia de van. Naquele tempo, kombi escolar. Entrava no carro e um cheiro de gasolina invadia o pulmão e se impregnava no cabelo, nas roupas. O motorista jogava no volume mais alto um programa policial – um tal de Mário Eugênio descia a língua nos bandidos.
A farra começava ao chegar à escola. Era uma festa. Gente de todas as partes, muitas cores, sabores, cheiros diversos. A festa não tinha muita regra. Podia rir, podia correr, podia jogar bola, podia sonhar. Ela e as amigas estavam sempre pelos cantinhos sorrindo daqui, observando dali. Montaram um clube de leitura e aproveitavam o tempo do intervalo entre as aulas pra trocar ideias sobre o mais novo livro da prateleira.
Uma amiga especial, Zélia, cantava no coral do Teatro Nacional. Convidou a menina pra ir acompanhar um ensaio. Tanto pediu aos pais que um dia ganhou a autorização. Lá foi novamente de cabelo alinhado, roupa bem passada, usando sapatos de plástico recém lançados como última moda. Entrou no teatro e sentou caladinha, na primeira fila. Fascinada. Acenou para a amiga e degustou a mais linda tarde de que tem lembrança. E entre tantas pessoas no coral, cantando ópera, ela dá de cara com ele, o vizinho. Sim, era ele, em carne, osso e voz: o menino do apartamento ao lado, o que acendia a luz quando ela passava.
Por uns instantes perdeu a respiração. Ali no escuro da sala Villa Lobos não sabia se olhava para o palco, se perdeu entre as cadeiras verdes e acabou encarando o menino, que arrumava despreocupadamente o cabelinho de anjo que insistia em sair do lugar. Era alto e, aos olhos dela, o garoto mais lindo do mundo.
O coração disparou. Só a ideia de falar com aquele guri deixou a menina em pânico. Sem muita, ou nenhuma explicação, ela saiu correndo do teatro. Até chegar à rodoviária foi um piscar de olhos. Nem viu os carros passando em alta velocidade, muito menos o acidente que aconteceu bem pertinho dali, em frente ao Conjunto Nacional.
Chegou em casa e foi direto para o quarto. Estava preparada para tudo, menos pra falar com o garoto. Ele era demais! Deitada na cama, começou a observar os
cartazes que pendurou na parede: não é que o Michael Jackson e os Menudos estavam até feinhos diante do vizinho? Ai, ai, suspirava a menina. Naquele dia não comeu mais. Nem conseguiu estudar, nem nada.
No outro dia as amigas só falavam no tal acidente e não acreditaram que ela não tinha visto. Parece que o filho de um senador tinha morrido ao bater em alta velocidade em um ônibus da TCB. Nada surpreendente, pensou com sua saia rodada. E a sorte é que era sábado e ela não teria que se espremer no corredor para não correr o risco de encontrar com o tal menino.
As colegas da sala de aula combinaram de se encontrar em baixo do bloco. Uma delas, a mais bonita, Cássia, entregou convites primorosos para a festa de aniversário que faria na próxima semana. Uma festa? Sim, que alegria. Mas, opa, com que roupa eu vou? Pronto, instalou-se o pânico. Foi um corre-corre durante a semana toda. Até que se arrumaram os vestidos. Na W3 Sul era fácil conseguir um que se adequasse à ocasião. A avenida naquela época era muito chique e aglomerava as melhores lojas da cidade.
No dia da festinha, ansiedade. Tinha de estar tudo impecável. Uma das mães se prontificou a levar a turma. Outra mãe buscaria. Foram todas eufóricas ao bailinho, como eram conhecidas as festas naquela Brasília do século passado. Na balada de então, as meninas e meninos não se misturavam com muita desenvoltura. A música começava calma, mas logo na pista todos curtiam o new wave , ritmo que acabava de se tornar a febre entre a garotada. Todo o mundo meio desajeitado, se paquerando e distribuindo sorrisos. A menina dançava solta.
Sem ela perceber, ele chegou. O vizinho. O menino da cantoria. Estava alinhado, de óculos e muito tímido. Simpático, falava com um aqui outro ali, mas basicamente não era um garoto popular. As outras meninas nem notaram a presença dele. O coração dela quase saltava pela boca, bem diferente da música que começava a tocar na festinha. A fatídica música lenta. Naquela época havia a dança da vassoura: alguém acabava segurando a vassoura enquanto os pares se formavam. Ninguém tirou a gordinha pra dançar. Ela era maior que todos.
Sem se abalar, foi beber um baré-cola e tomar um ar fresco. Encostada numa árvore ela viu: o vizinho! Ele estava chegando perto. Totalmente em pânico mais uma vez lá foi ela pra um canto bem distante da possibilidade de falar com ele. De longe viu o momento em que uma menina derrubou um copo em cima dele, meio que de propósito, pensou com ciúmes. E a festa foi até a hora combinada, a mãe da amiga buscou todas, deixou nas respectivas casas e a garota desabou na cama cansada com o primeiro salto alto que usou na vida.
Dali pra frente foram muitas manhãs suadas pra fugir da chance de encontrar o menino. Na semana seguinte teve festa na Esplanada dos Ministérios. Era um show de rock. A garota se sentiu mais do que atraída para ir até lá. As amigas não quiseram acompanhar. Ela ligou para o primo Renato e foram os dois, de ônibus. Desceram na rodoviária e andaram até o show. Lotado de tanta polícia. As bandas eram novas, mas ela adorou o que viu. Ficou encantada com tantos cabelos, tantas cores e até com as calças rasgadas que desfilavam entre tatuagens e cigarros. Saiu de lá a salvo e mal conseguia conter a alegria que sentia. Achou deslumbrante o Congresso Nacional virar palco de um show de música.
Ao chegar em casa nem percebeu que no canto da prumada o garoto da ópera estava sentado com um livro nas mãos. Na verdade ele carregava um livro e uma fita
cassete de 90 minutos que gravara pra ela. Mas ela não notou que ele estava ali, se escondendo.
Dormiu aquela noite como se o mundo fosse acabar. Não aguentou esperar o dia amanhecer e ali mesmo, diante do espelho do quarto, pegou a tesoura e cortou os cabelos até então orgulhosamente alinhados. E cortou muito. Fez um ninho de passarinho na cabeça, raspou a nuca. Queria ser como os tais cantores de rock que viu na Esplanada.
No café da manhã, o susto foi geral. A mãe saiu correndo pra buscar a tesoura para dar uma arrumada no corte mal-ajambrado. O pai não parava de rir e disse que ela parecia uma boneca velha. O irmão logo começou a chorar porque não entendeu o que estava acontecendo. E a menina séria, firme no propósito de sustentar um cabelo pra lá de diferente. Ficou em pânico quando saia do elevador e o porteiro foi falar com ela. Pensou que ele também fosse fazer algum comentário jocoso sobre seu póstumo cabelo arrumadinho. Sem saber onde enfiar as mãos ficou alisando a franja. Seu Antônio simplesmente entregou a ela a fita cassete que o vizinho queria ter dado pessoalmente. Por falta de coragem ele pediu socorro ao homem, e a menina agradeceu em um murmúrio quase inaudível. Guardou na mochila.
Na escola logo surgiram os apelidos pro cabelo novo: punk, louca, doidinha, pica-pau. Ela não ligava e achou o máximo o burburinho que provocou. Voltou pra casa satisfeita consigo mesma. Pegou logo um walkie talk e foi ouvir a tal fita que ganhara de presente. Foi uma festa para os ouvidos. Ficou encantada com o som. Tinha lá um solo de um violão que considerou fantástico e anotou mentalmente que um dia iria perguntar ao garoto quem tocava aquilo. Ouvia todos os dias. Enquanto ampliava o repertório descobrindo bandas que os amigos montavam nas garagens, arrumava um momento só pra ouvir a fita que já dava sinais de cansaço. Quase não pode acreditar quando a fita enganchou no aparelho e por pouco não se perdeu. Foi um sufoco. Nada que uma caneta esferográfica não pudesse resolver; naquele tempo se resolviam as coisas assim, no improviso.
E seguiam os dias. Aboliu a tal kombi escolar e passou a encarar o ônibus. Toda semana um tal de Dinho pegava o ônibus na parada anterior e fazia questão de segurar os livros que ela ainda carregava com orgulho. O Fê e o Flávio logo se tornaram amigos inseparáveis da menina. E então começaram a chegar os convites para as festinhas menos inocentes. A primeira que ela foi caprichou no gel. Nem combinou de a mãe ir levar, aproveitou a carona que as meninas arrumaram com um garoto da outra escola que acabava de fazer 18 anos. Phelippe o nome dele. Falava com um sotaque estrangeiro, mas era bem brasileiro, o loirinho. E ela foi com uma calça rasgada no joelho. Pra disfarçar, já que usar calça rasgada ainda não era permitido, saiu de casa de saia plissada, levava a calça na bolsa. Trocou a roupa ali mesmo no parquinho da quadra. O lugar era seguro e permitia tal façanha. E lá foi a garota rumo à maior aventura de todos os tempos. Que nem foi tão radical assim, mas era a primeira, e isso já garantia o status de maior de todos os tempos.
A festinha foi regada a muito rock, com um pouco de baré-cola e uma turma mais da pesada que foi logo oferecendo um cigarro. Vários cigarros. Ela não aceitou, mas ficou de olho no garoto meio esfarrapado que tinha alfinetes nas orelhas.
Bonitinho, comentou com a colega Maria Lúcia, que usava batom vermelho e olhos maquiados.
É, e ele gostou de você, disse Maria.
Hum, sei, respondeu a garota.
Dito e feito. O tal moço meio maltrapilho foi falar com a menina que, sem graça, não tirava a mão do cabelo novo. Apresentou-se como João de Santo Cristo. Primo do Leo, que namora a Bia. Sim, eles faziam parte de uma turma mais velha de um colégio próximo. Ela não gostava das saias longas que a Bia costumava usar. Comentou isso com João e a conversa veio fácil. Dali dançaram, riram e o garoto levou a menina pra um canto da festa. Ele tocou no cabelo dela dizendo o quanto estava linda, e ela nem acreditou, mas aceitou o elogio com um sorriso. Beijaram-se ali, no escurinho da balada. Era o primeiro beijo. Como esperou aquele momento! A festa se tornou pra sempre inesquecível. Mas não foi naquela noite que ela se apaixonou, só se despediu daquela garotinha boba sonhadora pra dar boas-vindas a uma menina que se preparava pra vida.
Foi pra casa certa que nunca mais veria o garoto esfarrapado, o João. E nunca mais viu mesmo. Às vezes procurava por ele, mas em vão. Viu alguma coisa nos jornais sobre um assassinato e um tal de Pablo e Jeremias que estariam envolvidos, mas não soube mais nada e nem ligou.
Seguiu em frente. Até o final do ano letivo tinha dado mais uma meia dúzia de beijos nos garotos da escola. Já não se sentia o patinho feio, começou a concordar mais com o espelho e começava a entender um pouco o que andava acontecendo à sua volta.
A fita cassete, o presente do vizinho, se perdeu na bagunça que virou o seu quarto. Ela que nunca tinha parado pra pensar na política do país, muito menos nas minorias e desigualdades sociais, já dava discurso para os mais despreparados. Começou então a andar com uma galera mais velha, engajada em movimento estudantil. Não parava de ler os grandes filósofos e pensadores, já não tinha assunto com as futilidades das meninas da mesma classe. E o que antes parecia uma grande farra, uma festa sem fim, pra ela perdia a graça. Já não tinha as mesmas cores. Ela começou a ver que existiam guerras demais no mundo, fome demais, destruição demais. Sentia pena dos menores abandonados, ficava indignada com o descaso da sociedade. Cada vez se revoltava mais e mais. Já não lembrava mais da ópera. O garoto que acendia as luzes quando ela passava já estava tão distante da realidade dela, que nem percebeu que ele tinha se mudado. Sim, ninguém mais morava no apartamento ao lado.
A menina cresceu. Menos punk e menos enraivecida, foi parar na faculdade. Mantinha o sonho de mudar o mundo. Frequentou bares, mesas animadas, pistas cheias. Queria tirar o melhor de tudo, viver a toda velocidade. Brasília era a festa particular dela. Todos os dias era uma balada diferente. As luzes da cidade já não se diferenciavam das luzes das discotecas. Os sons de carros, ônibus e aviões se misturavam às musicas que embalavam as noitadas. A vida era uma eterna festa sem hora pra acabar. Mas tudo tem um preço. Nessa entrega ela perdeu amigos pras drogas, amigas pra bebida, turmas inteiras que se deixaram levar pela sedução da irresponsabilidade.
A cidade também se deteriorava. Os parquinhos exibiam balanços quebrados, os ônibus eram sujos e estragados, as ruas fediam a resto de comida e mijo. Muita gente apanhou nas manifestações dos trabalhadores, outras tantas pintaram a cara e foram gritar direitos. O prédio onde morou na infância perdeu os azulejos, um estacionamento foi construído impedindo que a brisa do fim de tarde circulasse livremente. O corredor onde morava o vizinho tímido já estava todo pichado e o elevador de tantas brincadeiras de outrora estalava agora com engrenagens velhas e
obsoletas. Os espaços vazios onde corria com as amigas foram tomados por prédios. Brasília transbordava de gente e concreto. E ela ali, sem saber direito que rumo tomar. Realizou o sonho de estudar na Unb, mas diante de tantas greves e dificuldades acabou se formando numa faculdade particular dois anos antes de concluir o curso da universidade. As músicas que tocavam na rádio não faziam mais sentido. A cidade estava seca e suja, não era mais a mesma, era pura sujeira de fim de festa sem dono.
Um dia sem muito entusiasmo a menina visitou o antigo apartamento. Natasha, a neta de seu Antonio, o antigo porteiro, estava fazendo aniversário e como ele praticamente fez parte da família, foram todos convidados. Ela, a mãe e o irmão. O pai já havia falecido – ela enfrentou uma guerra com o sistema de saúde que já havia apodrecido de vez e perdeu o pai numa fila a espera de uma cirurgia.
Durante a festa, a filha de seu Antonio, Fátima, disse que havia algo para dar para a menina - sim, aos olhos de muita gente, ela ainda era aquela garota gordinha do cabelo esquisito. Recebeu uma caixa já bem gasta onde dentro estava a fita que há muito estava perdida. Aquela fita cassete de outros tempos, com as músicas que nem lembrava mais. Fátima explicou que achou a fita numa mochila velha que ganhou da mãe da menina.
Sem conseguir se conter de tanta alegria , correu para casa e imediatamente procurou onde ouvir a tal fita e achou um velho toca-fitas escondido no guarda-roupa. E ao ouvir aquilo viajou imediatamente para a infância de paixões e medos. Junto, na caixinha, um bilhete. Era uma letra bem feita que dizia somente: Paulo Cesar. E um número de um telefone. Será possível? Era Paulo o nome dele então? Ligou imediatamente para a Fátima, que confirmou, era sim. Paulo Cesar deixou aquela caixinha no dia que pediu o favor ao seu Antonio, mas descuidado, o porteiro entregou apenas a fita e deixou a caixinha enfeitada largada por lá, com o recado não lido dentro.
Agora estavam todos juntos. Fita, caixa, bilhete e a emoção de reviver um antigo amor. A busca para achar Paulo Cesar durou seis meses. Finalmente descobriu que ele se tornara professor de inglês e era disputadíssimo entre os vários cursinhos que se espalhavam pelo Planalto Central. Tomou coragem, foi até um deles e esperou.
O encontro foi constrangedor. Nenhum dos dois sabia muito bem o que falar, mas acabaram indo pro Beirute e pediram uma cerveja. Conversaram a noite toda, relembrando o passado, as festinhas, as desastrosas tentativas de aproximação dele, as frequentes fugas dela. Riram. E marcaram um encontro na outra semana.
A garota agora já era mulher. Mas naquele bar tinha os mesmos 12 anos de quando atravessava o corredor correndo pra não encontrar com ele. Até esqueceu de perguntar quem tocava aquela música que a havia encantado. Ficou para o encontro seguinte. Quem? Perguntou ela surpresa. Eu, repetiu Paulo Cesar sorrindo. Além de tocar o violão, a música era uma composição dele pra ela.
Ninguém nunca ouviu a tal música a não ser ela e agora Paulo já não tocava mais. A vida tinha sido dura para ele. Perdera os pais muito cedo e teve que trabalhar pra sustentar a mulher e a filha que fez antes mesmo de completar 20 anos. Ele agora estava tranquilo, a filha morava com a ex-esposa Andréia e estavam todos bem de vida.
Ali mesmo se beijaram. Nunca mais se separaram. Casaram seis meses depois e na cerimônia de casamento a música que embalou os noivos foi aquela da antiga fita. A festa foi de arromba. Com tudo que se tem direito.
Hoje moram em um prédio próximo ao da infância. O jardim é planejado por Burle Marx. Trabalham os dois perto dali e usam bicicletas para chegara até lá. Aproveitam pra fazer piquenique no Parque da Cidade todo fim de semana. Nos melhores restaurantes pedem sempre uma novidade e nunca deixam de frequentar os botecos da vida. Aos domingos andam de patins no Eixão, e Paulo Cesar voltou ao violão. Compôs música sobre o famoso céu da cidade, sobre o mar de nuvens e uma banda conhecida já encomendou quatro canções.
Brasília voltou a ser a festa que era naquela infância de outrora. E agora, mais uma vez, a festança não tem hora pra acabar. A vida é quem comanda as pick ups e a pista de dança? Bom, a pista de dança se renova a cada instante e traz muitas surpresas: nas férias, por exemplo, o casal não vai viajar porque o filho está de recuperação. Junto com o filhinho do Eduardo e da Mônica, os vizinhos do andar de cima. E segue o baile...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

um concurso e um conto erótico


participei dia desses de um concurso sobre contos eróticos. se fossem 10 premiados, estaria em sexto lugar. eram apenas três premiados...mas levei menção honrosa. melhor que nada, né? enfim...tá o site com meu nominho lá. o link é esse ai: 
http://www.reinodosconcursos.com.br/index.php?pagina=1501479057_19

segue o texto que concorreu:

ATENÇÃO - É PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS.
(é uma reedição de um conto da madame red o original foi publicado em: http://cartasdemadamered.blogspot.com.br/)

A ESCOLHA (do original "o estranho casal de três pessoas"

No primeiro dia de carnaval daquele ano, decidi não usar máscaras nem me embalar na folia das ruas. Apenas observei o cortejo feliz que desfilava pela cidade.
Num canto da calçada, como versava o costume, fiquei em pé e sorria para os foliões que passavam e se divertiam em fantasias e gracejos. Foi quando meu olhar cruzou o de Davi. Que homem charmoso, pensei. Alto, moreno, com uns olhinhos puxados que quase fechavam ao sorrir. Atrás da máscara ele me mandou seu melhor sorriso e eu retribuí. Com uma bebida na mão fez um brinde no ar e seguiu seu caminho atrás da marchinha que animava a rua lotada.
Passando por trás de mim veio ele, o John. Tropeçou e derramou bebida em todo meu vestido. Fez uma cara de espanto, pediu tantas desculpas que não consegui me aborrecer com ele. Apresentou-se timidamente. Era loiro, de uns olhos claros profundos e boca larga. Lindo.  Conversamos um pouco, entre gritos, já que a música estava alta. Ficamos ali trocando sorrisos.
Logo fui para casa. Estava cansada e com a roupa molhada. Definitivamente sem espírito carnavalesco. Quando já me preparava para deitar ouvi alguém batendo na janela.
– Quem está ai? Perguntei já com um leve frio na barriga. Em noite de folia sabe-se lá o estado alcoólico dos foliões, não é mesmo?
– É o John.
– Quem?
– O homem mais desastrado do mundo!
Reconheci a voz e não pude acreditar que aquele maluquinho havia me seguido até em casa. Abri a janela sem me preocupar com a pouca roupa que vestia.
– O que o senhor faz aqui? Perguntava eu com ares de indignação.
– Eu te segui. Quer um gole, senhorita? Perguntou ele oferecendo um copo com a cara mais safada do mundo.
– Não, está tarde, vou dormir.
– Por favor, bebe um golinho só. É Bourbon. Ou senhoritas de fino trato não bebem?
Avaliei que havia a possibilidade dele já estar um pouco bêbado. E eu ali, seminua na janela             começando a sentir frio.
– Senhor John ou vai embora ou entra pela porta da frente. A neblina está chegando e eu realmente estou com sono. E não é nada elegante a esta hora da noite o senhor ficar pendurado na minha janela.
– Abre pra mim?
Fiz que sim com a cabeça. No caminho consegui apanhar um casaco velho que estava jogado por cima da cama. Abri a porta pra ele. John entrou decidido e foi diretamente a mim. Segurou minha cintura e me deu um beijo de tirar o fôlego. Tentei me desvencilhar, mas ele parecia um polvo com mil tentáculos.
– Ei, para com isso, eu realmente quero dormir e você já passou da hora, falei sem convencer muito.
John não foi embora. Mais uma vez me beijou. Eu cedi. O corpo dele me envolvia. Fiquei perdida em seus braços.
Ficamos na sala nos beijando e nos tocando como dois adolescentes recém descobrindo o amor. Eu estava perdendo o ar e ele empolgado me lambia os lábios, a cara, o pescoço.
Pedi, quase sem força, para ele parar com aquilo. E ele parou.
– Vou parar. Se eu continuar, vou acabar abusando de você, me disse ele ousadamente.  Vou embora. Amanhã nos falamos. Deu meia volta e partiu.
Fiquei sozinha no meio da sala sem acreditar no que havia acabado de acontecer. O sentimento mais confuso era de que eu havia gostado daquilo tudo.
Fui dormir pensando nele. Inadvertidamente meus pensamentos me levaram também até o sorriso de Davi. Aquele Davi que eu ainda não conhecia, mas que me encantara na festa da rua. Ainda lembrava seu sorriso atrás da máscara. Adormeci e sonhei com os dois.
No outro dia cedo fui ao mercado para reabastecer a dispensa de vinhos e frutas. Quem estava lá parado, de óculos escuros e bastante alinhado? Davi.
Também comprava frutas.
– Bom dia madame, disse-me amavelmente.
– Bom dia. Sorri.
– Me permite? E foi logo me ajudando a passar as mercadorias no caixa. Fez questão de pagar minha conta. Insistiu a ponto de eu aceitar para não deixá-lo sem graça. Um verdadeiro cavalheiro.
Conversamos algumas amenidades, percebi que ele mal disfarçava a vontade de olhar para meu decote.
Depois de algum tempo despediu-se avisando que iria trabalhar até mais tarde, mesmo tendo uma pontinha de ressaca do dia anterior. Rimos da situação, e ele então me convidou para ir encontrá-lo para beber o vinho que “tínhamos” comprado. Aceitei.
– Hoje, oito horas, falou com veemência.
– Estarei lá, respondi.
E sim, fui encontrar Davi em sua casa. Não estávamos sozinhos: ele morava com a mãe e a irmã mais jovem, Julia. Fui muito bem recebida. A mãe estava febril e se recolheu depois de nos dar boa noite. A irmã mais nova nos fez companhia. O jantar estava bastante gostoso. Julia contou que fez os pratos, mas que a especialidade dela era mesmo a sobremesa. Tinha razão. Serviu uma torta de morango de tirar o chapéu. Deixei escorrer um pouco da calda nos lábios e Davi limpou com o guardanapo. De um jeito simples, mas que fez meu coração parar de tanta sensualidade.
Eu e Davi trocávamos olhares cúmplices e comprometedores. A língua dele não parava de lamber os lábios como se tivesse uma fome insaciável. Tentei ajudar Julia, mas ela fez questão de retirar a louça e ficar na cozinha, nos dando tempo para uma conversa a sós na sala de estar.
– Jantar maravilhoso, elogiei tentando disfarçar minha excitação.
– Maravilhosa é você.
– Davi pare com isso, sua irmã e sua mãe são uns amores, podem não gostar dessa ousadia, repreendi ele.
– Que ousadia? Você ainda não viu nada. Vem cá. Ele me puxou para seus braços. Beijou-me demoradamente. Senti sua respiração mudar enquanto me beijava. Olhou-me nos olhos e disse quase em sussurro:
– Você é linda. Quero você inteira para mim.
Eu retribuí o beijo. Neste momento Julia entrou com a bandeja do café, deu um gritinho espevitado e já dava meia volta quando paramos de nos beijar e rimos com ela. Ficamos os três tomando café e conversando sobre a vida.
As horas passavam sem pressa. Davi insistiu que ouvíssemos Julia ao piano. Eu já estava meio alta de tanto vinho, mas fiquei. Foi deslumbrante. Enquanto Julia tocava as mais românticas músicas ao piano, eu e Davi nos envolvíamos entre olhares de desejo.
– Davi, preciso ir. Já está tarde.
– Faço questão de levá-la em segurança.
Pegou o casaco e fomos andando de mãos dadas até minha casa. Estava uma noite linda de lua cheia.
Despedimos-nos na porta com mais um beijo e muito tesão.
– Vou lembrar esta noite para sempre, me disse ele.
Fui dormir com a promessa de encontrá-lo no dia seguinte.
E lá novamente estou me preparando para dormir quando ouço a batidinha na janela. Será que Davi teve a mesma ideia do maluco do John? Pensei comigo.
Não. Era John mesmo, em pessoa, batendo novamente.
– Namorado? Perguntou ele.
– Qual seu interesse? Respondi meio desaforada.
– Quero você pra mim. Não vou aceitar um riquinho mimado cortejando você. Como vamos fazer?
– John deixe disso, eu nem conheço você, vá embora, supliquei.
Ele então pulou a janela para dentro do quarto. Não se deu o trabalho de ir até a porta da frente. E veio determinado em minha direção com aqueles olhos brilhantes e azuis. E novamente me colou ao corpo dele. Estava quente e suado. E cheiroso. Beijou minha boca. A orelha, o pescoço. Eu já me derretia nos braços dele. Fomos nos beijando até a cama. Ele me jogou nela, tentei levantar, mas ele me segurou.
– Hoje eu não vou embora, disse ele já em cima de mim. Gemia ao meu ouvido.
Eu me entreguei. Queria aquele homem loucamente. Ele me beijava, mordia, arranhava. Não esperou eu tirar a camisola, foi logo rasgando minha roupa. A calcinha ele tirou num puxão só. Enfiava seus dedos me deixando completamente molhada. E assim com fome, com violência, me possuiu. Foi intenso, rápido e forte. Eu queria mais e mais. Agarrava-me a ele com as unhas, derretia encharcada de tanto prazer. Ele segurava meu rosto e me beijava, puxava meu cabelo, se enfiava dentro de mim como um bicho.
Naquela noite ele dormiu comigo.
Acordei com o corpo destruído. O sol entrava pela janela aberta. Ele já havia ido embora. Deixara uma xícara de café em cima do criado mudo. Um bilhetinho dizia que iria voltar.  “Com amor, John”.
Mal dei um jeito nos cabelos e Davi batia em minha porta. Nas mãos uma torta de morango. Julia insistiu, contou ele. Deu um sorriso sedutor.
– Mas que rápida, como ela conseguiu fazer uma torta de ontem pra hoje, tão cedo? Perguntei meio sem graça.
– Rápida nada. Já estava pronta desde ontem à noite. Ela ficou envergonhada de oferecer o mimo. Ai eu disse que você iria gostar e enfim, aqui estou eu de garoto de recados.
– Entre Davi, não fique ai na porta, por favor.
– Não posso. Estou atrasado. Mas posso voltar mais tarde, se você não se importar – disse com um sorriso tímido.
– Claro, concordei. Espero você para comermos juntos estes morangos.
Ele se inclinou de supetão e me beijou a boca. Arrumou uns fios do meu cabelo e saiu.
Passei o dia tentando disfarçar as marcas da noite anterior. Tinha arranhões pelo corpo e as costas doloridas. 
A noite chegou. Davi chegou com ela. Trazia flores, rosas vermelhas.
– Minhas preferidas, disse a ele.
Enquanto colocava as flores no vaso Davi escolhia uma música na vitrola. Puxou-me para um abraço e começamos a dançar. A música era suave, não exatamente para uma dança, mas nos deixamos embalar. Ele beijou minha boca. Segurava minha cabeça enquanto sua língua percorria meus lábios. Foi descendo até meu colo.
Davi tinha um cheiro inebriante. Eu me rendi àquelas carícias. Fomos andando em direção ao sofá. Ali os toques foram ficando mais ousados. Eu já estava quase nua e sentia Davi pulsando em cima de mim.
Ele me virou de quatro e assim me possuiu. Entrou em mim com desejo, com tesão. E eu me entreguei a ele. Ainda sentia as dores que John causara, mas me deleitei com as novas dores que Davi me presenteava.
Ele me puxava pra ele, me queria. Gozou em mim gemendo alto. Eu também gozei e fiquei sentindo o caldo quente que escorria das minhas pernas quando
Davi adormeceu no sofá. Deixei-o em paz.
Para meu desespero ouvi novamente a batidinha na janela do quarto. John!
Fui correndo abrir.
– O que você está fazendo aqui? Perguntei assustada.
– Ué, eu avisei que viria, respondeu ele já entrando pela janela. Sentiu minha falta?
– John, eu preciso falar com você. Estou confusa. Conheci outro homem, não sei o que estou sentindo. Gosto de você e gosto dele. Mas eu não sei o que fazer. Eu tentava me explicar entre frases curtas e rápidas.
– Ei, calma. Respira, disse ele andando pelo quarto.
– Hum, que cheiro é esse? Sexo. Você fez sexo agora? Hum? Olha minha querida, você não precisa escolher nada, decidir nada. Deixe as coisas acontecerem. Ele dizia isso em rápidas palavras sem tempo para respirar.
– Você não está entendendo. Ele está aqui, sussurrei apavorada.
– Então vou conhecê-lo, falou John já saindo do quarto.
– Não, gritei. Pulei em cima dele, mas John foi mais rápido e encontrou Davi dormindo nu no sofá.
– Sua safadinha, me disse John.
– Pare com isso. Ele vai acordar. John vai embora. Por favor. Eu estava em pânico. John riu e voltou para o quarto. Virou-se na minha direção e beijou minha boca.
– Você é minha, dá um jeito de despachar o bonitão, sussurrou no meu ouvido.
– Está bem, mas vá embora, por favor, respondi.
Ele saiu pela janela, mesmo contrariado.
Davi acordou e foi até meu quarto, quase flagrando John pulando a janela.
– Desculpe, peguei no sono, me disse Davi com uma voz rouca estonteante.
– Sem problema.
– Vou embora. Amanhã tenho trabalho e vou ao último baile da temporada. Você me acompanha?
– Claro, respondi sem pensar.
Davi se trocou, me beijou e foi embora.
No outro dia acordei cedo, com as lembranças boas da noite anterior.
“Hoje vou à festa”, lembrei. Estava confusa sem saber o que fazer. Davi ou John? Para meu desespero eu estava apaixonada pelos dois.
A noite chegou e Davi me pegou para irmos ao baile. Usava uma linda máscara negra, combinando com a minha. O salão da imensa mansão estava lotado. A música embalava os casais. Começamos a beber champanhe e fomos para o meio do baile. A certa altura eu já estava meio zonza, Davi me abraçou pela cintura.
Dançamos com o olhar fixo um no outro, quando senti por trás de mim outro abraço. Olhei para trás e vi John, também mascarado. Fiquei ali, entre os dois. Paralisada.
Foi um momento mágico. Como se tudo houvesse se encaixado. Davi beijou minha boca. John, minha nuca. Ficamos os três abraçados indiferentes ao resto dos convidados.
John me virou em direção a ele e também beijou minha boca. Ai foi a vez de Davi beijar meu pescoço. Revezei os beijos dos dois. Eles pareciam não se importar um com o outro. Os dois me queriam.
Saímos do salão abraçados. Eu estava suando. Nós três riamos enquanto andávamos pelos corredores. Encontramos a biblioteca. Entramos.
– Shhhh, silêncio, me diziam. E eu obedeci à ordem. E eles não paravam de me beijar, de me tocar. 
Era Davi que surpreendentemente comandava nossos passos. Segurou minha mão e me levou em direção à janela enquanto John esperava para ser convidado. Davi apenas olhou para ele como que autorizando John a pegar minha outra mão.
Davi tirou minha máscara e as alças do meu vestido. Fiquei com os seios à mostra. John também me olhava. Começaram a me tocar. Davi foi para trás de mim e beijou meu pescoço, enquanto John mamava nos meus peitos me matando de prazer.
Os dois passaram a dividir meu corpo. Beijaram-me, lamberam, sentiram cada parte da minha pele arrepiada de prazer. Me jogaram na parede, de pernas abertas e  se enfiavam em mim revezando os prazeres, ampliando meu desejo. Senti cada uma daquelas quatro mãos, dois paus, duas línguas, quatro pernas. Nunca antes havia me deleitado tanto. Às vezes um parava para ficar olhando ai voltava a me dividir. Éramos três bocas, três corpos que se procuravam.
Ajoelhei: lambi e chupei os dois. Senti um de cada vez na minha boca. Eles não se tocaram, não naquela noite. Engoli o gozo deles.  
E eu gozei farta de tanto tesão.
Ao final colocamos nossas máscaras - e roupas- e voltamos ao salão de baile. Não tiramos o sorriso do rosto, nem nos separamos por um bom tempo depois disso. Nascia ali um sólido caso de amor.
Davi deixou a mãe aos cuidados da irmã Julia. John foi morar conosco uma semana depois. Dormíamos os três na cama que ficou apertada para tantas estripulias amorosas. Foi assim que fiz minha escolha e todos passaram a nos conhecer, oficialmente, como o casal de três. FIM


terça-feira, 30 de outubro de 2012

mais um concurso e uma longa jornada

mas olha como é a vida. hoje estava ansiosa para pegar o resultado de um concurso literário lá do paraná. e foin, não levei nada. ai um amigo me dá os parabéns pelo concurso "brasília é uma festa". não entendi. fui conferir e sim, é verdade! fiquei em 7º lugar!!!! vou ganhar diploma, publicar em uma antologia e ainda levo 10 exemplares do livro. é ou não é pra ficar orgulhosa? nem bem comemorei o quarto lugar de ontem e já vem esse. nossa, é o começo da realização de um sonho. a meta agora é não desistir. aperfeiçoar, exercitar, escrever, escrever até morrer. e ir em frente fazendo o que eu gosto e principalmente fazendo o que eu estou aprendendo a fazer (ninguém sabe completamente tudo). sinto que estou no caminho certo. e como estou orgulhosa de mim! eu juro que não esperava nada. arrisquei e tá dando certo. são os primeiros. os próximos virão. e mesmo que não ganhe nada, vale a experiência, a vivência e o aprendizado.
estou feliz, resumindo, é isso.
a saber, neste foram 317 concorrentes e "Os jurados avaliaram os concorrentes de acordo com os seguintes critérios: adequação ao tema, linguagem (adequação ortográfica e correção linguística), originalidade, criatividade e apreço pessoal do avaliador. As notas foram de 01 (um) a 05 (cinco). 01 (um) para ruim; 02 (dois) para fraco; 03 (três) para regular; 04 (quatro) para bom e 05 (cinco) para ótimo".  

http://www.brasiliaeumafesta.com.br/site/

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

meu primeiro concurso literário

este ano resolvi fazer algo diferente: encarar minha carreira de escritora. eu nunca pensei que fosse tão difícil e ao mesmo tempo tão gratificante. comecei aos poucos, criei um blog, este aqui, os assuntos foram crescendo, tomei gosto pela coisa e acabei criando outros três, agora sou responsável por quatro blogs. faço por hobby, por ter muito a dizer, para me divertir e para exercitar essa tão difícil arte que é escrever. já contei aqui que uma das minhas metas é ler 5 mil livros durante minha vida toda. outra meta é escrever pelo menos 5 livros. até o fim da vida não é possível que não vá conseguir. tudo bem que comecei tarde, mas o que importa é começar. na verdade eu sempre escrevi. sempre fui meio metida a poeta, sempre me embretei por esse mundo das letras. acabei fazendo jornalismo por gostar muito de escrever. fiz quatro semestres de bacharelado em letras português e respectiva literatura na unb. mas o processo para terminar o curso foi tão enrolado que eu acabei me formando em jornalismo, comecei a trabalhar,  tive que trancar letras e acabei jubilada. uma pena. mas o pouco que aprendi me fez muito grata. ai tenho diários e mais diários, cadernos sem fim, com milhões de ideias, histórias, contos, crônicas, cartas de amor. sim, as ridículas cartas de amor. eu nunca soube muito bem o que fazer com tanta letra, e na verdade nunca me achei assim tão excepcional. mas resolvi arriscar. fazer diferente. então neste ano me inscrevi em alguns concursos literários, resolvi participar de uma antologia e também dei início ao doloroso processo de escrever meu primeiro livro. e quer saber? eu estou AMANDO toda essa dor. e hoje no dia nacional do livro recebi a notícia de que fiquei em quarto lugar num desses concursos. estou tão orgulhosa. feliz mesmo. de todos os concursos que me inscrevi só tenho resultado de dois. um que não ganhei nada e esse. quarto lugar não ganha dinheiro, mas participa de um livro. foram mais de 500 inscritos!!!! e gente, é a primeira vez que me inscrevo! tô que não me aguento. outros ainda virão, e se deus quiser com mais e mais prêmios. até que meu livro esteja pronto. ai convido todos para um baita coquetel, combinado assim? beijo.
p.s - eu vou ver as regras direitinho, não sei se tenho autorização para divulgar o texto classificado antes da publicação do livro.