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segunda-feira, 6 de maio de 2013

florianópolis: com ou sem emoção?


descanso, eu mereço. mesmo com fortes emoções...
 – que horas são?
– duas e quarenta e cinco.
– e a que horas é o casamento?
– oito horas.
– rá, já pensou se a gente vai olhar o convite e tá lá: cinco e meia? acho que eu morro.
– será? peraí.
– valério, nem brinca com isso.
ele digitou aqui, digitou ali, e veio a resposta: é às 16h, quatro da tarde. meu deus!
sim, assim foi meu almoço de sábado em florianópolis, praia dos ingleses. um susto só.
aqui na praia dos ingleses antes de levar o susto

aliás, se for pra viajar e ter vários sustos, é só me chamar. digo que é tipo assim: viagem com emoção ou sem emoção? se for com, me chama. emoções garantidas.
dessa vez fiz o check list logo cedo: pegou o convite? pegou as passagens? e a reserva do hotel? sim, depois das desventuras no show do cure, gato escaldado tem medo de água.
tudo na mão, pegamos a nina, deixamos na casa do meu irmão e fomos para o aeroporto. ainda bem que era cedo porque tinha um engarrafamento monstro pra chegar lá.  procuramos a tal vaga para deixar o carro e milagrosamente tinha! carro estacionado web checkin garantido, vamos comer porque a fome é grande. uma coxinha, um misto e duas cervejas: uma pequena fortuna. mas tá valendo, afinal "tamo" saindo de folga né? tudo certo ao entrar no avião. viajar de avianca é tranquilo. sem sustos.
no aeroporto de floripa já começou a complicação. cadê os táxis? todos muito enlouquecidos, disputados a tapa. pulamos num.  só que o coitado do motorista não sabia nem digitar o nome da rua no gps. o nome era hypólito oliveira, algo assim. ele insistiu em digitar hipólito com i, ipólito sem h, o oliveira não saiu nunca. vamos sem gps mesmo. avisamos que era em canasvieiras e lá fomos. o motorista colocou 130 km por hora. eu tava apavorada. mas tava cansada, então tudo bem, vamos chegar logo, isso é o que importa. 
tá, só que o cara não sabia qual era a rua do tal hotel, andamos canasvieiras inteira até descobrir que era facílimo chegar lá. ok, tá valendo. "tamo" saindo de folga, né?
mais uma pequena fortuna depois, chegamos ao tal hotel. lá fomos informados que nosso quarto estava com disjuntor queimado e que todos os outros estavam ocupados porque estava havendo na cidade um encontro de universitários dos cursos de medicina, direito, engenharia e não sei o que mais. a conversa do cara foi meio história pra boi dormir, mas o fato era que a meia noite de quinta-feira, estávamos ainda de mochila na mão e famintos (sim porque a pequena coxinha caríssima não matou a fome de ninguém e lanche de avião é sandubinha mequetrefe amassado, né?). o gerente nos disse que tinha um quarto reservado para nós na pousada em frente ao hotel. atravessamos a rua, esperamos o gerente ligar para a dona da pousada. ele disse:
– ela tá vindo, tá tudo certo, preciso voltar pro balcão que o hotel tá sozinho.
a vista da pousada era linda

e foi embora! ficamos os dois na porta da pousada esperando a dona acordar. tipo, e o tempo passando. 
ouvimos passos, trancas e chaves e finalmente ela abriu a porta. era uma moça simpática que só falava espanhol. arranhei no portunhol e nos entendemos. meu marido tem a velha mania de falar portunhol gritando, sabe como é? parece que a pessoa do outro lado é surda. não, ela só fala outra língua! peloamordedeus! enfim, descobrimos que éramos os únicos hóspedes, e ficaríamos no melhor quarto , de frente para a praia. tudo bem. só que era no terceiro andar, tudo na base da escada. e como era barulhenta. parecia que o mundo ia cair a cada degrau galgado.
chegamos ao tal quarto, tudo arrumadinho, limpinho, fomos avisados que por sermos os únicos não haveria café da manhã, que nosso café era no hotel. tudo bem, aquela altura do campeonato!
deixamos mochilas e tudo no quarto e fomos achar lugar para comer.
eu sempre falo que se algum dia eu for para o pólo sul (ou norte) acabo com o meio ambiente do planeta. pode ser o frio que for, onde for, se eu chegar o calor vai junto! é impressionante. fui pro chile, calor; fui pra gramado, calor em pleno agosto; uma vez fui para caxias em julho, estava fazendo 3 graus. eu cheguei a temperatura subiu  pra 30 graus. sou muito, muito azarada. sim, considero azar ir para um lugar frio e não aproveitar o friozinho...enfim, estava um calor do cão em floripa.
achamos perto do hotel uma pizzaria aberta. oba. pedi uma pizza e claro que a que eu pedi era a única no cardápio todo de mais de 200 sabores que não tinha! troquei por uma simples mesmo pra não ter surpresa. veio uma maravilhosa, quadrada! pizza quadrada na madrugada. bem bom. fazia vento e todos os meus guardanapos saíram voando. sujei a rua. fiquei com peso na consciência. mas fazer o quê? voltamos para o hotel, ou melhor, pousada, com quatro garrafas de água e outras latinhas de cerveja. pelo menos tinha uma geladeira no quarto. que desligava toda a vez que a gente saia. mas tinha.
nosso estoque acabou rapidamente. fomos dormir. claro que numa cidade com mais de 10 mil estudantes soltos, bebendo e fazendo festa , dormir é para os fracos. e velhos. eu me encaixo nas duas categorias. ainda tive que aguentar a festa alheia até de manhã. tudo bem, adoro fazer festa também. mas o que explica um cara abrir o porta-malas do carro, colocar uma música que fala que ficou doce porque tem um carro amarelo (e não é uma brasília amarela) e duas meninas ficarem dançando em frente ao carro? aos gritos e vômitos? quase cinco da madrugada? será que tô ficando careta? enfim, já tava amanhecendo, nem eles aguentaram e finalmente se fez silêncio.
no outro dia acordei para pegar o café da manhã. pense: todos aqueles estudantes da noite anterior ou haviam passado por ali ou estavam ali. o hotel não dava conta de repor os produtos, pão era disputado a tapa e o suco era tang. fomos pra praia.
os 10 mil estudantes que tinham tomado café já estavam na praia. não tinha um cantinho pros velhos aqui. andamos, andamos, quase chegamos a jurerê e finalmente achamos um paraíso chamado capitão do mar. uma birosquinha que vendia cerveja gelada, pastel de camarão e isca de peixe. nos achamos. ficamos lá até a sombra aparecer. o calor continuou. foi tudo ótimo. 
ruim, né? em canasvieiras
voltamos pra pousada, banho, descanso e a vontade louca de comer sushi.
procuramos um que não fosse muito longe. nos arrumamos e fomos até o balcão do hotel pedir para chamar um táxi.
– não, não tem como chamar. vocês tem que ir até o ponto de táxi que fica ali ao lado do pastel.
tá bom, vamos lá. "tamo" de folga, né? tá valendo. ficamos esperando aparecer algum táxi. nisso percebemos que lá tudo funciona por vans. as pessoas, em grupos, alugam vans que vão levando e buscando o tempo todo. durante o tempo de observação do trânsito passaram umas 400 por nós. invariavelmente tinha uma cabeça de algum universitário vomitando pela janela.
ai apareceu um carro chique, não entendo nada de carro, mas era chique e grande. o motorista tinha no painel uma autorização tipo de táxi e a placa era de táxi.
– vocês querem táxi?
– sim, queremos. (quase respondi: não, só tô parada aqui no ponto de táxi porque não tenho ambiente em casa. mas achei melhor não). 
– pra pachá ou p12?
hein? descobrimos que os 10 mil estudantes estavam se dividindo em festas nesses dois lugares. expliquei que íamos a um sushi em jurerê. ele cobrou pacote fechado R$20,00. borá lá.
o moço colocou uma música eletrônica que não me permitia ouvir meus próprios pensamentos. e claro, o gps dele não funcionou. a sorte que o nosso funcionou, mesmo assim ele deu vááárias voltas até achar um lugar mega fácil e conhecido. é impressionante como taxista lá não conhece a cidade.
nosso jantar foi ótimo. claro que o prato principal veio antes da entrada e eu tive que mandar voltar o prato para esperar a entrada. mas foi um detalhe.
no fim da janta, pedimos um táxi. a resposta chegou quase 10 minutos depois: todos os táxis estavam ocupados. chegaria um em meia hora.
já tínhamos pagado a conta, prontos pra ir embora, perguntamos onde ficava o ponto de táxi e fomos andando em direção a ele. ao chegar no ponto, do outro lado da rua um taxista passou e viu nosso sufoco, gritou se queríamos uma corrida, sim, dissemos em coro.
corremos pra dentro do táxi. carro velho, caindo aos pedaços. o motorista não sabia dirigir, errava as marchas, numa velocidade alucinante. desconfiamos que o cara tava cheirado, turbinado ou rebitiado (existe essa palavra? pra quem toma rebite?). quebra-mola ele não via. ficava batendo com a mão no volante, nervoso. deu medo. antes de chegar ao nosso destino ele simplesmente falou: vou passar num posto de gasolina, tô sem combustível.
claro, vai. ficamos na fila esperando o atendimento. nisso vimos mais uma cena deprimente de dois playboys sem camisa ouvindo uma música que falava de caldas country. música a toda altura, saindo de um carro com placa de são paulo. e eles dançavam sozinhos e partiam pra cima de todas as meninas que chegavam no posto. triste, nojento. enfim.
nosso motorista louco nos deixou no hotel pagamos os mesmo R$20 da ida e ele que se dê por satisfeito. louco.
no outro dia, sábado, desistimos do café da manhã porque era uma merda mesmo e dormimos até 10 e meia. acordamos descansados, prontos pra ir pra praia. escolhemos um restaurante tranquilamente.
decidimos que iríamos almoçar na praia dos ingleses, assim eu ligaria para uma amiga que não vejo há muito tempo, iria vê-la, para dar um beijo e ainda sobraria tempo para dar uma caminhada na praia. 
pegamos um táxi no grito, sim, eu já estava esperta e caçava os taxistas onde estivessem. fomos pro restaurante. mais um gps quebrado, mais um motorista que não sabia o caminho. paramos em frente ao restaurante e o taxista insistiu que não era ali, deu mais duas voltas e acabou no mesmo lugar. era ali. pagamos a conta e entramos para o almoço.
maravilha. na beira da praia, pedi um champanhe, camarão , côngrio rosa  a belle muniere, chique no úrtimo. ai veio a surpresa: o casamento era as quatro da tarde e não às oito da noite. custava ter lido o convite quando chegou em janeiro? pra que, né? vamos viver de emoções...
nunca comi camarão tão rápido na vida. mal senti o gosto das batatinhas maravilhosas que acompanhavam o prato.  
o champanhe ganhou uma rolha e foi pra pousada embaixo do braço. e o táxi? não tinha. o garçom tava com tanta pena da gente que ligou para o cunhado ir nos levar. agradecemos e fomos esperar em frente ao restaurante. passou um táxi desavisado, pulei na frente dele e voltamos pra pousada.
eu tinha escolhido todo o figurino, sapatos, maquiagem, acessórios, tudo para a noite. não estava preparada para uma festa quatro da tarde, naquele calor. eu estava equipada para um casamento noturno, e no frio. nunca me arrumei com tanta pressa. adaptei o figurino e assim fomos.
e o táxi? nada, né? o seu machado, morador ali de perto, passou e viu nosso desespero. se ofereceu para nos levar, por adivinha quanto?  R$20. tudo lá é vinte reais vincchyyy reais (ler com voz de vanessão hahahah!)  aceitamos. seu machado deixou o número do celular dele pra gente ligar na volta, caso houvesse problema.
o casamento foi lindo, uma vista maravilhosa, detalhes maravilhosos. emocionante. amo casamentos. e esse foi bem especial. parabéns aos amigos fábio e heloísa. tava tudo deslumbrante.
que chato casar aqui, né? 
na volta pra pousada não, não tinha táxi. o recepcionista do local disse pra gente ficar esperando, um amigo ligou, todo mundo ligou, apareceu um santo taxista e nos levou inteiros para casa.
no outro dia nada de café da manhã, claro. acordamos de ressaca meio-dia, almoçamos no bobs, arrumamos a mala e fomos pro aeroporto.
até tinha táxi! claro, os estudantes já estavam no aeroporto. todos. ai começou uma chuva de lascar.
meu checkin fiz pela web na pousada. óbvio que no aeroporto a internet não tava pegando. quando consegui o wi-fi, acabou minha bateria. concluímos que seria melhor imprimir num totem o tal e-tíquet. enfrentamos uma pequena fila, mas deu tudo certo.
ah agora vamos tomar um café, por favor!
são duas lanchonetes no aeroporto, 10 mil estudantes. pense na confusão. até que conseguimos ser atendidos. nisso uma tia que tava sentada com a família começou a dar esquete com a garçonete, por causa da demora ou sei lá o quê. foi a maior baixaria. fez-se um silêncio constrangedor.
terminamos o café e fomos para nosso portão de embarque. o   aeroporto é tão pequeno que tanto faz ir pro portão um, dois ou três. é tudo junto mesmo...
só que a chuva não deu trégua. e não existe finguer lá. conclusão: cada passageiro ganhou um guarda-chuva para atravessar a pista molhada e enfrentar a chuva que havia se transformado em temporal. e era preciso devolvê-lo no início da escada do avião. a subida era embaixo d´água mesmo.
uffa. conseguimos sentar, sobrevivemos. ah, detalhe, era tam, não tinha mais voo da avianca. nem ia contar sobre o lanche, mas acho desaforo servir duas bolachas água e sal e um polenguinho, sem faca. e um bolinho ana maria, aqueles ruins, sabe? e pra beber? coca-cola e água. eu que não bebo coca-cola, fiquei na água mesmo. acho muito mais digno não servir nada. e não cobrar por isso, né? enfim.
chegamos bem, pegamos a nina e deu tudo certo.
foi isso. com ou sem emoção?

p.s - quero dizer que eu amo floripa, e continuo amando. as pessoas foram muito legais com a gente. garçons, seu machado, taxistas malucos, garçonetes e tudo o mais. na próxima espero não ter encontro de estudantes. 

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