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sexta-feira, 26 de abril de 2013

a mosca ou o único cliente da noite


a mosca zunia em torno da lâmpada velha e suja. as cinco mesas do boteco infame estavam vazias. a pouca luz não escondia a gordura entranhada nos copos e toalhas plásticas nem as paredes descascadas e rachadas. no ar cheiro a mofo e mijo. o dono da pocilga era um gordo fedorento que mastigava o palito usado e limpava o balcão com um pano sórdido. e lá estava o único cliente da noite encostado no tal balcão. do rádio de pilha em cima da prateleira, ao lado das garrafas, saia uma música antiga que falava de um bordel e suas putas tristes. o copo de cerveja do único cliente estava pela metade. ele tira do bolso da camisa um cigarro. pede fogo. ganha uma caixa de fósforos. acende o cigarro, dá uma tragada longa, acaba com a bebida num gole só. puxa o revólver do bolso de trás da calça jeans e dá um tiro no dono do bar e outro na própria cabeça. ficam ali os dois estendidos no chão imundo. lá fora apenas um cão late ao longe. a música no rádio continua. a mosca desiste da lâmpada velha e pousa na boca do único cliente da noite. 

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